Comemoraram-se recentemente os 500 anos sobre a viagem em que Pedro álvares Cabral aportou ao Brasil, trazendo ao conhecimento do Mundo a existência daquele extenso território que hoje constitui a América do Sul.A chegada ao Brasil marca o final do chamado período das descobertas que durante cerca de um século mobilizou os portugueses em sucessivas viagens de exploração ao longo o litoral africano e no Atlântico central.É uma perspectiva desse período que pretendemos dar a conhecer através do texto que se segue.
1. Antecedentes
Os interesses comerciais que surgiram, nos finais da Idade média, nos portos da orla ocidental da Europa, olhavam com certa inveja para o monopólio italiano e germânico do comércio com o Oriente. Os tecidos de algodão e seda, as especiarias, as tintas, os perfumes e as pedras preciosas do Oriente encontravam mercado pronto no Ocidente ainda que os preços quadriplicassem em trânsito, em especial devido aos onerosos transportes por caravana desde o Golfo Pérsico e o mar Vermelho até aos portos do Mar Mediterrâneo.A expansão do Império Otomano pelas rotas do comércio da Europa com a Ásia resultou na imposição de taxas ainda mais pesadas ao comércio oriental. Confrontados com esta situação, os comerciantes e marítimos da Europa Ocidental procuram novas rotas para o Oriente.No fim da época medieval, os povos da orla atlântica da Europa voltaram a considerar antigas lendas e relatos quase históricos de vias marítimas para o Oriente. A difusão de antigas ideias, que consideravam a terra esférica, foram retomadas por pensadores e exploradores ousados que sonhavam atingir o Extremo Oriente quer contornando a África quer atravessando o misterioso Atlântico. Coube aos portugueses a glória de concretizarem aquelas ideias.Durante o final da Idade Média, os navios de vela foram-se desenvolvendo gradualmente tornando-se em navios verdadeiramente oceânicos. No século XV foi possível iniciar com método as cada vez mais longas viagens de exploração marítima.De facto, o antigo e relativamente frágil navio de comércio, com um só mastro e uma vela, evoluiu. O desenvolvimento do comércio durante o século XIII deu origem a navios bojudos, já dotados de enxárcias, desenhados a partir dos navios longos dos escandinavos e dos diversos tipos de navios à vela do Mediterrâneo.Surgem os castelos de proa e popa, primeiro improvisados para a guerra e, mais tarde, tornando-se parte integrante do navio, melhorando-se o aparelho e a solidez da construção; resultou daí a coga do Mar do Norte e a nave mediterrânica.O deslocamento dos grandes navios aumenta de 100 para 300 toneis, e são equipados com três mastros e gurupés, com pano maioritariamente redondo numa disposição que muito favoreceu as suas qualidades náuticas.No decurso do século XIV, o leme de cadaste, controlado pela cana, substituiu o velho sistema do remo de esparrela colocado na alheta de estibordo; e ao mesmo tempo que se divulga o uso da agulha magnética, a cartografia náutica dava os primeiros passos com o aparecimento dos portulanos.A caravela também se desenvolve mercê do engenho da construção naval portuguesa que cria um tipo de navio bem aparelhado e de sólida construção, com um, dois ou três mastros envergando velas latinas triangulares. A caravela foi o navio explorador do oceano por excelência; capaz de bolinar, revelou-se o navio adequado à descoberta dos regimes de ventos que possibilitariam mais tarde o uso do pano redondo e das naus. A caravela evoluiu no século XVI para a caravela redonda que armava, além dos três mastros latinos de pano latino, um traquete de pano redondo e um gurupés de sustentação da mastreação
José Pedro(5D)
sexta-feira, 5 de março de 2010
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