É a terceira vez que o grumete Rui Alves, 22 anos, embarca no navio-escola Sagres. Mas foi a primeira em que a família veio de Viana do Castelo até Lisboa para se despedir do marinheiro. O motivo é único: a Sagres partiu ontem (19 de Janeiro), do cais de Alcântara, para uma missão de onze meses à volta do mundo – algo que não fazia há 27 anos.
Há 27 anos que o navio-escola Sagres não fazia uma volta ao mundo (António Borges)
A missão, patrocinada por um conjunto de empresas, está a ser alvo de uma grande campanha publicitária. E isto acabou por atrair ainda mais gente ao cais de Alcântara, para assistir à partida do navio. Quando o comandante Luís Proença Mendes começou a dar as ordens da manobra para desatracar, familiares, amigos e curiosos irromperam em palmas no cais e lágrimas rolaram na face de alguns marinheiros a bordo.“Foi um bocado complicado”, diria mais tarde Rui Alves, já com a Sagres em movimento sobre o Tejo.Para o comandante Proença Mendes, 43 anos, participar desta viagem é como ser seleccionado para representar o país num mundial de futebol. “A motivação profissional é excepcional”, disse ao PÚBLICO. Mas, a título familiar, não é fácil. Serão pouco mais de 11 meses a navegar ao redor do planeta, numa missão de ensino e de diplomacia. A Sagres é, em parte, uma espécie de embaixada flutuante de Portugal. Por onde passa, actua como pólo de divulgação do país no exterior, além de contactar com as comunidades portuguesas.Por outro lado, serve com um dos elos na formação de futuros oficiais da Marinha, que se juntam à tripulação durante parte do percurso das suas missões. Normalmente, isto ocorre durante o segundo ano da licenciatura da Escola Naval.A bordo, os cadetes aplicam na prática os seus conhecimento teóricos, tomam contacto com longos períodos no mar e aprendem as artes de navegação astronómica, orientando-se através das estrelas e do sextante.A Sagres partiu com 147 militares a bordo, aos quais se juntarão 35 cadetes, em Junho, quando o navio estiver em San Diego, nos Estados Unidos. Os cadetes cumprirão uma missão de três meses no mar.Além de servir ao treino para esses aspirantes a oficiais, o navio parte também com objectivos ligados à diplomacia económica. A bordo seguem materiais de divulgação de algumas das cerca de duas dezenas de empresas que ajudaram a patrocinar a viagem.Um dos patrocinadores centrais, os Jogos Santa Casa, vão proporcionar a possibilidade de alguns portugueses juntarem-se à Sagres. Sorteios especiais associados ao Euromilhões e a outras lotarias levarão duas pessoas a percorrer uma parte do trajecto do navio-escola e mais oito a dez a estarem presentes em eventos especiais em determinados portos. Segundo Pires Antunes, administrador dos Jogos Santa Casa, o modelo será semelhante a outro já utilizado durante o concurso internacional das novas maravilhas do mundo.
terça-feira, 2 de março de 2010
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